Comunicação e Inclusão Social

O Brasil, principalmente nos últimos 30 anos, passou por grandes transformações sociais e vem numa crescente luta pela igualdade social e pelos direitos das pessoas com deficiência física. Aos poucos as pessoas com deficiência se impuseram perante a sociedade e mostraram que não são elas que devem se adaptar, mas sim a sociedade que deve trabalhar para promover a acessibilidade e incluir essas pessoas.

Durante anos esse grupo lutou para quebrar estigmas e acabar com barreiras impostas pela sociedade, hoje temos uma série de leis que regulamentam e garantem o acesso dessas pessoas ao mundo do trabalho.

Nossa Constituição Federal garante em seus artigos de número 7 e 24 a proibição de qualquer discriminação no tocante a salário e critérios de admissão do trabalhador com deficiência e; proteção e integração social das pessoas portadoras de deficiência, respectivamente.

Esse direito é garantido pela Lei nº 8.213 de 24 de julho de 1991 que diz em seu Art. 93 que a empresa com 100 ou mais funcionárias está obrigada a preencher de dois a cinco por cento dos seus cargos com beneficiários reabilitados, ou pessoas com deficiência.

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As organizações hoje são instituições de grande relevância social, muitas vezes seus valores, suas ações e sua postura transcendem seu espaço físico e passam a fazer parte da sociedade em que estão inseridas, dai a importância dessas organizações terem uma atuação favorável e adequada á inclusão de pessoas com deficiência, não apenas como cumprimento de suas obrigações legais, mas sim, como principio organizacional.

A criação de leis para garantir que pessoas com deficiência tenham espaço nas instituições, sejam públicas ou privadas, garantiram que essa parcela da sociedade tenha espaço no mundo do trabalho e seja, gradativamente, integrada ao ambiente organizacional, contudo as leis não conseguem garantir que após a inserção desse profissional nas empresas, estas consigam inclui-los totalmente em sua dinâmica interna.

A informação é uma arma poderosa e deve ser sempre usada a favor da organização, portanto, informar a todos das ações que a organização faz, de como ela se atualiza e se prepara para receber o profissional com deficiência, de que forma o profissional que já está integrado é incluído nas dinâmicas da organização é essencial para que os demais colaboradores sintam que o clima organizacional está diferente, e para que estes passem também a se interessar e praticar tais ações, a espelho da organização.

A importância em se abrir para esse novo horizonte, no qual as organizações não apenas incluem, mas integram e transformam sua visão e valores, está no fato de que, as organizações não são mais estruturas isoladas, as organizações-ilhas estão extintas. Hoje, as organizações são uma construção social, constituídas pelo resultado de suas ações, pela imagem gerada e compartilhada pelos seus públicos e pelas políticas e ações que pratica.

As relações públicas são uma função de liderança e gestão que ajuda a organização a atingir seus objetivos, definir sua filosofia e facilitar a sua transformação de acordo com as mudanças e imposições da sociedade, Segundo definições do Conselho Federal de Relações Públicas (CONFERP) relações públicas são responsáveis por ajudar organizações a encontrar sua identidade, seus valores éticos, morais, culturais e organizacionais.

Para tanto, também é sua função sugerir mudanças de postura e atitude. As relações públicas devem ser usadas aqui pelo profissional de comunicação para orientar e levar a organização à compreensão e a prática do processo de inclusão do profissional com deficiência.

Para tanto, o profissional de comunicação deve estar sempre atento às mudanças e movimentações que ocorrem dentro e fora do ambiente organizacional. Quando voltamos a atenção da organização à necessidade dos profissionais com deficiência, estamos contribuindo com o desenvolvimento da organização, pois funcionários bem informados e que se sentem valorizados rendem mais, com o desenvolvimento do colaborador, que ao ter as barreiras suprimidas consegue desenvolver plenamente suas funções, e com o desenvolvimento da sociedade, através da transmissão de exemplos positivos e de novos valores.

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Nossa atuação enquanto comunicadores, através da humanização da comunicação e adaptação do planejamento e estratégias de comunicação, pode contribuir amplamente para uma mudança estrutural das organizações. Alterações simples na estrutura física da instituição representam um bom começo, que devem ser seguidas pela adequação dos bens materiais e pela adoção de tecnologias assistivas sempre que necessário.

Todas as ações de comunicação desenvolvidas devem ser planejadas de forma que atinjam igualmente todos os colaboradores da organização, deve-se evitar meios que não possam ser adaptados, que não sejam de fácil acesso ou que não possam ser traduzidos para braile ou Libras. Os profissionais com deficiência não podem ser visto como um grupo à parte dos demais colaboradores, pois, esse pensamento apenas reforça estigmas e gera um novo processo de exclusão, agora dentro das organizações.

Ao conduzir esse processo de inclusão estamos, nós mesmos, modificando os paradigmas da nossa profissão, mostrando que a comunicação pode, e deve, ser bilateral, não só em seu fluxo, mas principalmente nos benefícios gerados para organização, a quem o profissional representa, e públicos, a quem o profissional deve ouvir e atender.


Se interessou? Então segue alguns links para que você se informe mais sobre o assunto:


 

Fontes:

Constituição Federal: http://goo.gl/jMGQFL
Cartilha do Censo 2010 – Pessoas com deficiência: http://goo.gl/A7RS9U
Conselho Federal de Relações Públicas: http://www.conferp.org.br/


 

Publicado por: Bruna Karina Gonçalves

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