Citação

Você já empoderou uma mulher hoje?

A presença crescente da mulher no ambiente corporativo e uma trajetória histórica de diferença de gêneros

wcdi

Mulher no volante, perigo constante.
Lugar de mulher é pilotando o fogão.
Toda mulher precisa de terapia. TER … A … PIA… sempre cheia de louça para lavar.

Quem nunca ouviu essas frases em alguma situação da sua vida?

Seja direcionada a uma mulher ou fazendo piadas em uma roda de amigos esse tipo de comentário serve apenas para reforçar o estereótipo de que toda mulher  é frágil e deve se dedicar apenas ao lar, marido e filhos. Nós mulheres somos julgadas diariamente por nossa aparência, atitudes e pelo comportamento que a sociedade espera que tenhamos  e não por nossa inteligência ou capacidade de executar atividades, resolver problemas e de escolher nosso próprio caminho.

O grande problema é que a realidade feminina atualmente é o oposto ao desse estereótipo. A maior parte das mulheres que conheço, estudam e trabalham fora de casa, por exemplo. A prioridade deixou de ser casar e ter filhos e passou para se formar na faculdade e ser independente financeiramente.

Nos últimos anos foi notável o aumento do número de mulheres entrando no mundo corporativo. Essa participação feminina no mundo do trabalho começou há um bom tempo atrás, por volta do século XVIII e XIX, de uma forma tímida, com a ocupação de cargos que exigiam menores qualificações ou de menor importância. Hoje, mais mulheres estão ocupando postos mais relevantes, como gerentes, diretoras, ou mesmo empreendedoras de seus próprios negócios.

Ainda assim, a diferença entre o espaço da mulher e do homem no mercado de trabalho, em especial no ambiente corporativo, é colossal. Uma pesquisa da Organização Internacional do Trabalho (OIT) divulgada pela revista Exame¹ em janeiro deste ano, mostra que  a presença das mulheres na direção de grandes empresas cresceu tão pouco nas últimas duas décadas, que no ritmo atual levaria entre 100 e 200 anos para alcançar a igualdade de gênero nos altos cargos das companhias.

Essas posições, que são historicamente masculinas, possuem barreiras para mulheres, existe um pré conceito de que aquele cargo é de um homem, que só a figura masculina está preparada para assumir o cargo e ser, em muitos casos, o rosto da empresa. Achei um trecho traduzido do livro “Cadres au féminin et cultures d’entreprises” (Quadros femininos e culturas corporativas, em português)² de uma escritora francesa chamada Belle, lá ela exemplifica isso perfeitamente quando diz que “não existem mais espaços reservados, papéis atribuídos em caráter definitivo, separações estritas ou muros intransponíveis entre o feminino e o masculino. O que se nota é uma segregação velada e disfarçada que consiste em uma barreira sutil e transparente, mas suficientemente forte para bloquear a ascensão das mulheres a níveis hierárquicos mais altos”.

Isso nos leva ao fato de que, as diferenças de gênero no ambiente de trabalho são compreendidas a partir da produção de identidades de homens e mulheres e da forma como a sociedade enxerga as potencialidades de cada sexo. O que pode ser um grande equivoco, já que cada individuo possui suas características próprias, sua história (dentro e fora da organização) e seu próprio caminho e escolhas para chegar onde está.

Culturalemnte nós mulheres somos educadas desde pequenas para sermos donas de casa, e é comum meninas assumirem responsabilidades mais cedo e em mais quantidade do que meninos, passamos a ajudar nas atividades domésticas e somos sempre cobradas quanto a nossa postura e comportamento (que menina nunca ouviu como devia ou não sentar e que falar determinada palavra não era coisa de menina?).

Será, então, que isso não nos torna ainda mais preparadas para assumir funções de liderança?

Mas ai você me diz “Hey, Bruna, para com esse papinho feminista”, e ok, eu paro, e começo a falar sobre fatos e, em como as mulheres estão se preparando mais para o mercado de trabalho, e isso quem fala é  um estudo de Estatísticas de Gênero realizado em 2014 pelo IBGE³, através de análise dos resultados do Censo Demográfico 2010.

Em 2010, 12,5% das mulheres com 25 anos ou mais tinham completado o ensino superior. Entre os homens, o percentual era de 9,9%. Entre os mais jovens a diferença é ainda maior, na faixa etária de 18 a 24 anos, 15,1% das mulheres frequentavam um curso de graduação frente a 11,4% dos homens na mesma idade. O salário das mulheres vem subindo mais do o dos homens ano a ano, segundo uma pesquisa anual realizada pela Catho. A mesma pesquisa indicou que os homens ganham, em média, até 30% a mais do que as mulheres e que quanto menor o cargo, maior é a diferença.

Em média, a brasileira trabalha 39,9 horas semanais fora de casa, no escritório, e outras 23,2 horas, cuidando da casa e da família. O Censo 2010 aponta que 38,7% das casas brasileiras são chefiadas (bancadas) por mulheres. Há 15 anos, eram 25%. Ou seja, as mulheres estudam mais, trabalham mais, têm mais responsabilidades, cada vez menos tempo e ganham menos que os homens.

As relações de trabalho e as organizações ganham novos significados e complexidades a partir de mudanças reais na sociedade, e quem faz essa mudança acontecer somos cada um de nós. Todos os dias, milhões de mulheres entram para o mundo corporativo e tentam incessantemente desconstruir estereótipos sociais e culturais há tempos construídos, para que as conquistas adquiridas por elas sejam base para um processo de construção de uma nova identidade.

E como você contribui para essa mudança?
(Faça um minuto de reflexão)

E faço essa pergunta não apenas para os homens, mas também para mulheres.

Quando lá no inicio do post coloquei os ditados populares, aparentemente inofensivos, quis mostrar o quanto temos comportamentos prejudiciais e nem notamos, pois é algo culturalmente aceito e enraizado. Cabe a mim, a você, a todos nós juntos sermos a mudança nessa realidade, empoderar uma mulher é garantir a ela, e a várias gerações (passadas e futuras) direitos que já temos no papel, mas estão longe de se concretizarem na prática.

Então, eu tenho mais uma pergunta: Você já empoderou uma mulher hoje?


 

Referências:
¹: http://exame.abril.com.br/negocios/noticias/presenca-das-mulheres-na-direcao-de-empresas-e-insuficiente

²: http://www.ichs.ufop.br/conifes/anais/OGT/ogt1301.htm

³: http://biblioteca.ibge.gov.br/visualizacao/livros/liv88941.pdf


Postado em 22.10.2015 por Bruna Karina Gonçalves

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